As edições mais marcantes do Big Brother Brasil são lembradas por seus participantes carismáticos, provas desafiadoras e, principalmente, pelas discussões entre os brothers! Com motivações que vão de desempenhos nas provas até a divisão de alimentos, as brigas movimentam o jogo e fazem com que o programa vire assunto entre os brasileiros. Nos últimos anos, um fator importante passou a influenciar negativamente o humor dos participantes: a decoração dos espaços da casa.

Na edição atual, os ambientes são marcados por cores e estampas exageradas. Com referências retrô dos anos 1960, 1970 e 1980, a casa conta com três quartos: Grunge, Lollipop e o do Líder. O quarto Lollipop é marcado por estampas repetitivas, contrastantes e cansativas. O quarto Grunge faz alusão ao rock, com muito xadrez e cores mais sólidas. O quarto do Líder abusa das formas geométricas e de um tom forte de azul. Na cozinha, há uma divisão também diferenciada por cores: enquanto a cozinha do Vip é trabalhada nos tons de vermelho e amarelo, a cozinha da Xepa tem acabamentos mais sóbrios, em tons de bege. Os ambientes comuns, como a sala e o único banheiro com chuveiro, também são ricos em cores fortes. A principal inspiração do projeto foi o Pop Art, movimento dos anos 1950 que, na decoração, representou a quebra de ambientes neutros por meio de objetos chamativos, coloridos e que fizessem referência à cultura popular. Já na época, sua característica “provocante e ousada” chegou a ser considerada repetitiva.

A energia caótica é aliada da produção, já que aumenta o estresse mental e o desconforto emocional dos participantes, o que amplia brigas e discussões dentro do confinamento. Em entrevista ao portal Notícias da TV, o psiquiatra Jairo Bouer afirma que o excesso de estímulos é um dos fatores decisivos para o desequilíbrio: “É mais difícil eu me acalmar, é mais difícil eu parar para refletir, é mais difícil eu ser zen em um cenário desses”, pontua o médico.

Para a arquiteta Carolina Quintella, a psicologia das cores também é responsável pelo abalo do estado de espírito dos participantes. “A cor vai causar sensações como fome, tranquilidade, consumo… Quando você pensa em um hospital, você pensa em cores suaves. Fast foods são sempre com cores vibrantes, que é para instigar a fome e causar pouco conforto, para o cliente comer mais, se sentir desconfortável e ceder espaço para outra pessoa”, diz a especialista.