Os números do TikTok são impressionantes: em março de 2021, a empresa por trás da rede social, a ByteDance, já era avaliada em  US$ 250 bilhões. Ao redor do mundo, estão espalhados mais de 1 bilhão de usuários, com 39 milhões concentrados no Brasil. O crescimento do aplicativo pressionou gigantes como Instagram e YouTube a criarem funcionalidades semelhantes, a fim de barrar a concorrente chinesa.

A ByteDance, entretanto, não se posiciona como uma empresa de redes sociais, e sim como uma plataforma de tecnologia, inteligência artificial e analytics. Seu poderoso algoritmo permite a recomendação de conteúdo personalizado, através da apresentação de vídeos aleatórios que modelam o perfil de cada usuário. Assim, a empresa é expert em reconhecer padrões e tendências logo em seus estágios iniciais.

A partir de julho de 2021, a ByteDance passou a vender sua tecnologia de IA para diversas empresas do mundo todo. A ferramenta batizada de BytePlus oferece aos clientes B2B acesso à tecnologia de recomendação, ferramentas de analytics e testagem em tempo real, funcionalidades relacionadas ao user experience, e algoritmos para implantação de efeitos especiais, tradução e voice over.

De fácil manuseio, o BytePlus permite que empresas de diversos ramos tenham acesso a uma das ferramentas mais poderosas de recomendação e análise de comportamento do usuário. A ByteDance usa como exemplos de possíveis beneficiários os segmentos de varejo, comunicação, hospitalidade e mídia.

A estratégia adotada pela empresa chinesa revela uma visão de ecossistema, que consiste em integrar modelos de negócios através da conexão de competências. Os ecossistemas se abrem ao mercado e vendem seu know-how até mesmo para concorrentes. Assim, se tornam fornecedores de soluções, tecnologia e infraestrutura.

O BytePlus enfrenta gigantes da tecnologia, como IBM, Google e Microsoft, e ecossistemas como Alibaba e Amazon. Dentro do mercado brasileiro, a Magazine Luiza, a Via e o Mercado Livre já têm operações destinadas ao mesmo caminho, oferecendo soluções para os varejistas. Desta forma, já é possível prever os caminhos do futuro: varejistas tradicionais se transformarão em empresas de soluções de tecnologia, alterando todo fluxo de mercado.